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Monthly Archives: Março 2009

bbb9

VIDA REAL OU REALIDADE INVENTADA???

Assistam ao vídeo:

http://www.vimeo.com/3478132

 

O Big Brother começou na Holanda em 1999 e fez tanto sucesso que hoje é televisionado em cerca de 20 países (para conhecer melhor a origem do Big Brother: http://www.trocistas.com/index.php/2009/01/17/big-brother-a-historia-que-ninguem-sabe/). Mas a ideia de reality show é antiga. Para muitos especialistas o homem sempre teve um pouco de voyer. Acompanhar a vida de pessoas comuns, conhecer suas intimidades, os limites do homem, seus problemas e seus romances chama atenção dos telespectadores que se envolvem a ponto de sentir que conhecem os participantes e de torcer fielmente para seu preferido. As pessoas sentem raiva, choram e dão risada assistindo ao programa. Essa proximidade entre a emissora e os telespectadores resultou no enorme sucesso do programa. Tanto é, que o BBB está no ar na Rede Globo desde 2002 e é um líder de audiência da emissora.

Reality show, pela origem da palavra, deve ser um programa que mostre a vida real. Deve ter pessoas, histórias de vida e situações reais, e não personagens ou ficção. Mas é um SHOW da vida real, onde tudo é espetacularizado e cheio de glamour. Esquecendo a discussão sobre a veracidade do programa, se é tudo armado, se as falas são decoradas, se as eliminações são manipuladas, enfim todas as dúvidas já bem conhecidas, o programa não é real. Independente das pessoas agirem naturalmente ou não, as situações vividas lá dentro não são reais. Na vida real, nós não estamos presos dentro de uma casa, não temos que enfrentar provas de resistência para sermos líderes, não temos que eliminar um colega, e não vamos ganhar 1 milhão no final. Claro que tudo isso pode se encaixar na vida real como metáforas, mas a realidade do BBB é criada pela televisão, é uma realidade que só existe lá. É o que Muniz Sodré chama de ethos simulado.

A televisão “[…] cria uma outra realidade e amplia sua própria realidade, onde o indivíduo imerge. Então não é apenas a questão do efeito de conteúdo que está em jogo. O que está em jogo ali é uma administração do tempo do sujeito, administração das consciências, a criação de uma vida vicária, substitutiva.” – Muniz Sodré.

 

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Presente nos lares de mais de 90% da população, a televisão tem uma responsabilidade com aquilo que transmite. A TV precisa ser ética e passar mensagens verdadeiras e informações relevantes que levem conhecimento ao telespectador. Mas hoje a TV é mais um produto, uma empresa do que uma ponte entre a informação e a população. A ética e a moral acabam, quase sempre, em segundo plano. Claro que essa discussão é muito mais complexa e a ética muitas vezes é uma questão de ponto de vista. Mas o fato é que o Big Brother é um programa que gera muita polêmica sobre a credibilidade da TV. Para muitas pessoas o Big Brother é um absurdo. Expor as pessoas daquela maneira, por mais que elas aceitem estar ali, é considerado uma apelação da emissora, um sensacionalismo. As novidades do BBB 9, como a casa de vidro e o quarto branco foram muito criticadas. Alguns acharam interessante e consideraram que isso deu mais emoção ao programa que já estava ficando sem graça. Mas para muita gente isso foi o extremo da apelação para conquistar audiência. Tanto que, a novidade dessa edição, o quarto branco, responde a processo, por ter sido julgado desumano. A casa de vidro é a exposição de pessoas como se fossem animais que precisam fazer graça para os espectadores, para outros é apenas uma brincadeira divertida e curiosa (centenas de pessoas passaram dias inteiros ao lado da casa de vidro observando os participantes). Além disso, muitas pessoas acusam o BBB de preconceito e discriminação, pois excluem os negros (só tem um participante por edição), os gordos, os deficientes, etc.

O Big Brother é, sem dúvidas, um programa de entretenimento e ninguém tenta contestar ou esconder isso. Mas até o entretenimento deve passar uma mensagem, deve transmitir conteúdo. Há quem acredite que o BBB é uma incultura que não acrescenta nada, mas tem que pense o contrário: que é sim cultura afinal mostra a vida real de pessoas comuns e com diferentes valores e costumes.

 

Multidão ao redor da casa de vidro.

Multidão ao redor da casa de vidro.

“A cultura é menos a paisagem que vemos do que o olhar com que a vemos.” – Martin Barbero.


E ai? O que você acha do Big Brother? É ético? É a realidade? É cultura? Dê sua opinião. Comentem!!!!!

 

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